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Wine Time: Poente - Douro

Quem me conhece sabe que não sou nem de poesias nem de Rosés (não sei se haverá alguma ligação entre os dois?). Sempre fui apologista do romance histórico e do Tinto, hábito de casa (pelos dois avós) e hábito das amigas (pela a minha Brites e a Graça #NúcleoForte). Sempre achei que Rosé era uma "coisa para meninas", (sem ofensas, mas é que o próprio vinho é cor-de-rosa) e só me lembro da mãe, que não gosta de vinho, mas gosta de Rosé.

Eis a pergunta: será que existe um bom vinho Rosé? Sim, há, e vou comprová-lo!
Numa tentativa de me redimir deste passado, quero dar tal importância ao Rosé, que o primeiro texto que escrevo no blog, na rubrica Wine Time - sobre vinhos, será sobre um Rosé: Poente, Quinta da Roga - Douro.


Antes de mais, um pouco de história, ou não seria eu a escrever:

A minha conversão ao Rosé começou no ano de 2018, mais propriamente no primeiro jantar que tive com o Chicão em Lisboa (agora noivo e companheiro de tão boas jantaradas - ou não seria o tal).

Eu tinha escolhido o restaurante, não queria que fosse fancy, mas um lugar relaxado e que servissem cervejas num copo pequeno, fosse giro e barato (sim, é possível jantar em Lisboa num restaurante giro e barato). Fomos ao El Pibe. Bem sei que não é propriamente o lugar ideal para um date, mas tudo o que eu queria é que não parecesse um date. No El Pibe tornou-se impossível jantar sem marcação (contudo, ainda vou escrever sobre aquelas maravilhosas empadas - atenção mas não tão boas como as de Perdiz feitas pelo Chicão).

Assim mudámos de restaurante e fomos ao Luzzo (AQUI), a famosa pizzaria. Ainda esperamos um pouco para ser atendidos, enquanto bebíamos umas cervejinhas. Que saudades destas noites de verão sem covid! Pedimos a pizza com avelã e pancetta (claro, as avelãs). Quando o Francisco escolheu um Rosé para nos acompanhar, achei estanho, mas era o primeiro jantar em Lisboa e eu não queria ser inconveniente. Semanas depois, com o namoro mais sério e estável, voltei a falar do assunto, como fosse um problema por resolver, percebi que ele tinha pedido o Rosé porque achava que era um vinho que todas as mulheres gostam, sempre cavalheiro este homem. Contudo, naquele dia, o Francisco explicou-me uma coisa que agradeço muitíssimo, por isso o meu primeiro texto de vinhos é sobre o Rosé:


Cada vinho é um vinho (redundância?)

É o vinho que existe para cada circunstância, por isso é que há vários tipos de vinhos bons, vários aromas, várias castas... O vinho serve para ti e não és tu que serves para o vinho (acredito que possa haver vinhos tão autênticos que devem ser bebidos sozinhos, mas não é o caso. Aqui falo da simbiose, o escolher o vinho para a refeição).

Percebi que a verdadeira pizza italiana, a massa fina e crocante, faz desta uma comida delicada e, assim, chama o Rosé, para que durante a refeição o vinho não domine nem anule o prato em si, mas o faça brilhar.

Não basta saber gostar de um bom vinho é preciso saber conjugá-lo. Eu, pelos vistos, não sei... mas estou descansada porque o Francisco sabe.


Hoje, sempre que vou a um italiano penso no dia que me converti ao Rosé sem saber. E em Itália, quando festejávamos o aniversário da mãe, em Florença e em Trastevere, festejámos com Rosé, e foi top!


No último fim de semana, quando organizávamos as coisas para o nosso casamento sem festa, decidi fazer ao meu noivo um almoço italiano, com o que tinha trazido na viagem que fiz a Roma.

Não era um almoço qualquer, era uma experiência gastronómica que me levava de volta ao país que tanto gosto, e desta vez o Francisco vinha comigo. Era mostrar ao Chicão o porquê de ser tão apaixonada por Itália. Abrimos um azeite de trufas comprado em Florença, experimentámos o tomate seco e as especiarias do Mercado Campo di Fiori, comemos burrata com tomate alongado, parmesão, muito parmesão, e o molho de napolitano da Barilla com um macarrão al diente.

O Francisco deu o vinho, aquele que é para ele o melhor Rosé: Poente - do Douro.


A exigência era muita, o vinho tinha de ser especial, porque era uma comida especial.

Servido à temperatura ideal, este Rosé surpreendeu! Confesso que (ainda) não sei descrever e distinguir os aromas do vinho como uma enóloga ou como uma politica, mas sei quando gosto, porque é quando ele se torna um complemento de uma boa refeição, é quando a garrafa vai ficando vazia sem esforço, um vinho leve que deixou brilhar as especiarias e que me converteu de novo ao Rosé #VoltaChicãoETrazOPoente!

+ Sobre a esta quinta da Roga: AQUI

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Muito Bom: Ser um vinho leve, fresco o que se quer num Rosé.
Bom: A imagem do vinho. Quem me conhece sabe que aprecio muitíssimo os rótulos, as garrafas e a forma como fazem comunicar o vinho, gostei desta imagem não só por ser um aguarela minimalista e bonita da quinta, mas porque deu para imaginar aquele poente.
Preço: €€
Avaliação: *****

PS:

Agora só me falta converter à poesia. Mas estou a fazer o esforço, deixo aqui um dos textos que me acompanhou nesta quarentena (O Coro dos Escravos da Ópera de Verdi, Nabuco - para ouvir AQUI)


Va', pensiero, sull'ali dorate.


Va', ti posa sui clivi, sui coll,

Ove olezzano tepide e molli

L'aure dolci del suolo natal!

Del giordano le rive saluta,

Di sionne le torri atterrate.

O mia patria, sì bella e perduta!

O membranza sì cara e fatal!

Arpa d'or dei fatidici vati,

Perché muta dal salice pendi?

Le memorie del petto riaccendi,

Ci favella del tempo che fu!

O simile di solima ai fati,

Traggi un suono di crudo lamento;

O t'ispiri il signore un concento

Che ne infonda al patire virtù

Che ne infonda al patire virtù

Al patire virtù!


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