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Osteria Cucina di Amici (Comer em Lisboa II)

Atualizado: 3 de dez. de 2020

Comida italiana é um sonho e quem pensa o contrário pode deixar de ler este artigo, porque vai ficar desiludido!


As expectativas estavam altas para o almoço de Domingo de Ramos, por diversas, várias e muitas razões, mas sobretudo, porque no sábado eu tinha provado o melhor Risotto de Cogumelos da minha vida, feito pelo Francisco (quem tem um namorado, que pela primeira vez que faz um Risotto, faz o melhor de todos? Eu ☝ #NãoÉParaTodas).

Risotto de Cogumelos by Chico

Por ser um dia de festa, Domingo de Ramos, o almoço tinha de ser arrojado-fora-do-comum. Já estávamos na Baixa, a sair da Igreja de São Nicolau, e mandei logo mensagem à (minha querida) Mercedes AR com a simples pergunta (ou não tão simples): "Qual o melhor restaurante italiano de Lisboa?".  Entre alguns (cinco), destacou-se um que já há muito estava guardado no meu TripAdvisor (Clica Aqui) Osteria Cucina di Amici e, hoje, foi o dia!


Começámos pelo passeio para chegar até lá: Rua das Madres. Lisboa no seu melhor, entre travessas, os azulejos nas fachadas, roupas estendidas nas varadas e, claro,  as cabeças das senhoras a sair das janelas, afastando as portadas sem disfarçar, para tentar perceber o que se passa no Airbnb lá da frente. Tão bom!

Lisboa é uma cidade incrível, pela sua luz e pelas coisas simples, e isso vê-se nos bairros, nestas ruas (Madragoa Lovers)!

Ainda a caminho do restaurante, ligámos para reservar mesa (sim, hoje em dia, em Lisboa, é impossível aparecer de surpresa). Uma das coisa que nos dizem é que não há multibanco e eu, apesar de ser esta miúda do século XXI, que já não sabe viver sem MbWay, nem aplicações do banco e que raramente levanta dinheiro (sim, eu sou aquela que já pagou um café com multibanco!), fiquei feliz. No fundo, gosto desta coisa de viver sem multibanco (#IntoTheWild), mas isto pode ser um  inconveniente que, no meu caso concreto, não o foi, pela prontidão da funcionária. Também fiquei, desde logo, com a sensação de que este é um restaurante "caseirinho".

Ao chegar, percebemos que o restaurante é mais giro ao vivo do que nas fotografias da internet (finalmente isto acontece-me!). Uma verdadeira Osteria ou Cantina Italiana. Montada numa antiga Mercearia (não acham que é a combinação perfeita?).

A decoração, impecável, aquela foto do Totò a comer pasta despertou de imediato a minha atenção (lembrei-me do meu querido avô, tanto ríamos com estes filmes - para quem não sabe clique aqui).

O ambiente? Como eu gosto: acolhedor, genuíno e verdadeiramente italiano (por vezes é difícil encontrar um restaurante italiano verdadeiramente italiano): mesas de alumínio sem toalha, cadeiras a descombinar, copos baixos, guardanapos de pano encarnados aos quadrados e, claro, a fotografia do Papa na parede, misturada com imagens de queijo Parmesão, de futebol e fotos de família!

A funcionária que nos atendeu foi muito simpática e ao, mesmo tempo, com um bom profissionalismo (outra conjugação que nem sempre é fácil encontrar por Lisboa). Percebeu que era a nossa primeira vez ali e explicou-nos todo o conceito. Sentimo-nos mesmo bem acolhidos! (Contudo,  para se sentir acomodado, bastava abrir o Menu, onde está escrita uma carta de boas-vindas).

No meu entender, este restaurante tem um conceito de facto muito italiano, é comida para dividir - ou como nos explicaram comida comunitária - , os pratos vão chegando e vai-se comendo, como numa mesa de um dos filmes de Federico Fellini, braços e entrelaçados e tigelas a passar-de-um-lado-para-o-outro. Isto faz jus ao nome Cucina di Amici, e isso é ideal para mim! Aproveito para desabafar uma característica minha, não sei se é defeito ou virtude, mas não consigo, não gosto, jantar fora sem amigos, sem companhia! (Parece-me sempre que a comida não sabe tão bem como quando partilhamos).

E por falar em comida, passamos para o nosso almoço:


Para entrada, escolhemos a do dia: Caciocavallo no forno com Mel e Alecrim, ("o caciocavallo é um tipo de queijo de requeijão feito de leite de ovelha ou de vaca. É produzido em todo o sul da Itália, particularmente nas montanhas dos Apeninos e na península de Gargano" obrigada Wikipédia!). já sabem que entre a Dita e o Francisco há sempre um queijo ou um copo de vinho e, desta vez, foi igualmente bom... a única coisa que desiludiu foi termo-nos esquecido de pedir a famosa Foccacia para acompanhar o queijo... bem, fica mais um motivo para voltarmos.


Como prato principal, decidimos ir pela Nella Padella e Al Forno: Lasanha Carasau e Pancetta Italiana, (não se deixe enganar pelo nome, não é uma lasanha "normal" de massa, mas sim de Carasau, conhecida como a Massa de Pizza Seca ou a Massa de Pizza Frita), vinha acompanhada não só com a Pancetta como por fatias finas de Tomate, Courgette e, como não podia deixar de ser, do Queijo Ricotta!

Logo de seguida foi chegando (é impossível não dividir) o nosso segundo pedido...

- pausa- Desde que entrámos na Osteria os nossos olhares foram para as diversas mesas que tinham uma pasta cor-de-rosa (sim cor-de-rosa!). -fim da pausa-

Não era nossa intenção ser tão audazes, mas quando perguntámos por recomendações falaram da: Pasta al Pesto di Rapa Rosa, que é Bucatini (aquele esparguete grosso com um buraco a meio) com Pesto de Beterraba, Majericão, Pinhões e Queijo Pecorino. Decidimos, então, arriscar! Confesso que no ínicio estranhamos... estamos tão habituados ao molho de tomate que nunca imaginamos Pesto de Beterraba mas, o facto, é que no final, é mesmo bom!

Não tenham medo, o sabor da Beterraba não é assim tão intenso e, ao contrario do tomate, é um encontro adocicado com uma certa acidez. (Para além que ficarmos com a boca pintada de cor-de-rosa #ÉSóEstranhoVerONamoradoComOsLábiosRosinha)!


Altri: para beber deparei-me com uma dificuldade. Não me saía da cabeça um bom Vinho Tinto, ou um Lambrusco, ou uma cerveja fresca... mas como ainda estava doente e #Antibiótico, decidi não me comprometer (sim, sou uma menina hipocondríaca). No entanto, não queria estragar o menu e precisava de alguma coisa italiana, e foi claro que o pedido só podia ser a água c/ gás San Pellegrino, e o Francisco, homem saudável, foi para a famosa Birra Moretti (e deu-me umas saudades imensas de Roma, de beber uma Morenti à frente de San Luigi dei Francesi).

Dia de festa, também significa Dolci, sobremesa, e sobremesa sem dividir (acreditem que vale a pena não dividir!)

Gosto das cartas de sobremesas pequenas, pois acho que assim são feitas com mais amor e o amor é condição essencial para um doce ficar no ponto! O Menu só tem três opções. Ainda estava a senhora a ditar e o Francisco escolheu, por mim e por ele - acho que ouviu somente Nutella e disse essa é para ti! Assim foi: Tarte de chocolate com Creme de Nutella e PistachoBolo de Mascarpone, Biscoito, Alecrim e Mel (esta última levava Carasau em cima, digna de um Chef).

Valeu, valeu e valeu a pena!
Foi um almoço genuíno, do inicio ao fim, foi um bocadinho da Itália que eu tanto gosto, foi uma companhia que é cada vez mais cúmplice nestas aventuras... foi um dia de festa!
Muito Bom: Ambiente + comida + decoração + localização (fomos a um domingo, não tivemos nenhuma dificuldade em estacionar, penso que em outros dias pode ser um factor menos bom).
Assim-a-Assim: Preço (mas normal em Lisboa), o facto de não haver multibanco.
Preço: €€/€
Classificação: ****/*
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