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Magma: o vinho que não falta em minha casa

Atualizado: 23 de jun. de 2021


A gastronomia açoriana é extremamente complexa, de tal forma que eu acredito que ainda haja muitos elementos seus por explorar. Mas, felizmente, estamos a sair do ramerrame e cada vez mais começamos a dar valor aos produtos autóctones e a perceber a sua riqueza.

Este fim-de-semana tive o privilégio de comer umas boas cracas na minha varanda. As cracas são um marisco incrível: é que conseguem ter plenamente o sabor do mar (ou não fossem elas cozidas na água da Silveira). São, na minha opinião, o melhor marisco do mundo. Sim, isso mesmo, o melhor marisco do mundo – e é nosso.

Aproveitei e fiz a seguinte pergunta nas redes sociais: Qual o melhor vinho para acompanhar as nossas cracas? Das muitas respostas que obtive (boas dicas), desde champanhe e espumantes às castas Alvarinho, Loureiro, Arinto, e ao vinho rosé, ninguém adivinhou a minha escolha: vinho branco, Verdelho de denominação de origem dos Biscoitos: Magma.


Por isso decidi escrever sobre este vinho que me é tão especial. Antes de qualquer argumento de harmonização, tenho muito orgulho naquilo que é nosso, e que ainda por cima é bom. Sempre que podemos, abrimos um Magma na nossa casa (e o que não faltam são bons momentos). Este vinho combina com as entradas e os peixes, também o levamos para aqueles jantares mais vinícolas. Gosto tanto dele que tenho em casa uma garrafa vazia como jarra, e isso não é só uma expressão de saudades: a garrafa é mesmo bonita, elegante e tem um rótulo muito bem conseguido, transmite a frescura que está lá dentro.

O Magma não podia ter melhor nome, com um terroir vulcânico da pedra dos Biscoitos e da maresia, feito nos (pequenos) currais das nossas vinhas – o que torna o produto ainda mais singular –, e engarrafado na Cooperativa dos Biscoitos. Do Verdelho, uma casta de que devemos ter muito orgulho, sendo parte da nossa história: foi trazida para os Açores na altura do povoamento.

Para se saber mais sobre a riqueza da zona vitivinícola dos Biscoitos, temos obrigatoriamente de visitar o Museu do Vinho da Casa Agrícola Brum, que faz um extraordinário trabalho de preservação da história e da cultura do vinho dos Biscoitos – e, claro, do Verdelho (é como lhes digo: nós temos de ter muito orgulho no que é nosso).

Magma é um vinho leve, fresco com uma boa acidez. Sempre que o bebo, esteja em Lisboa, no Porto ou em Viseu, sabe-me a mar. Quando me perguntam qual o vinho que não falta em minha casa, sem dúvida que o Magma é um deles.

Se nunca o provou, não perca mais tempo! Este vinho encontra-se no supermercado Guarita a 14,02 €, e é mais um motivo de orgulho.

Até para a semana, se Deus quiser, com bons vinhos açorianos!


Crónica publicada Diário Insular, 2 de Junho 2021


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